Nem a loucura do amor, da maconha, do pó, do tabaco e do álcool vale a loucura do ator quando abre-se em flor sob as luzes no palco. Bastidores, camarins, coxias e cortinas. São outras tantas pupilas, pálpebras e retinas. Nem uma doce oração, nem sermão, nem comício à direita ou à esquerda. Fala mais ao coração do que a voz de um colega que sussurra "merda". Noite de estréia, tensão, medo, deslumbramento, feitiço e magia. Tudo é uma grande explosão, mas que parece que não quando é o segundo dia. Não há gente como a gente, gente de teatro: gente que sabe fazer a beleza vencer pra além se toda perda. Gente que pôde inverter para sempre o sentido da palavra "merda"